Bebendo por beber, bebendo pra esquecer, o importante é que bebo. Por mim e por você |
Texto extraído da conversa entre entre dois poetas bêbados numa calçada enquanto esperam o efeito do alcool ser menor o suficiente para que possam se por de pé novamente.
Um deles, muito menos bem sucedido que o outro, lança a pergunta:
- Sabe aquela sensação?
_ Qual?
- Aquela que invade e toma lugar e espaço na sua “mente, alma e coração”?
Aquela que te produz um desejo carnal maior do que vc pode agüentar.
E um carinho que transcende o racional, e quebra a barreira entre a amizade e a loucura.
Que te faz dormir tarde e acordar cansado e feliz por ter sonhado com quem queria.
Aquela... que te mantém esperto e ligado para qualquer gesto ou coisa que a pessoa fale.
Que gela os nervos quando vcs se tocam sem querer.
Ou que te dá uma imensa alegria em ser o primeiro rosto que se vê depois da noite calorosa
Que te faz ligar para a mesma pessoa, sem assunto, várias vezes ao dia?
_ A tal da paixão? Do amor apaixonado?
- Essa mesma, que devora e estimula cada pedacinho seu.
Que contém todas as vontades condensadas num só objeto que te puxa como a gravidade do sol.
Numa felicidade e excitação tão grandes que beiram o sofrimento.
_ Sim, o que tem?
-......... pra onde foi? Faz tempo que não vejo.
Sem resposta, ficaram os dois sentados olhando a sujeira da rua e os trabalhadores que iam para os pontos de ônibus. Sem dinheiro e sem amor. Todos eles, poetas e trabalhadores.
Sem resposta, ficaram os dois sentados olhando a sujeira da rua e os trabalhadores que iam para os pontos de ônibus. Sem dinheiro e sem amor. Todos eles, poetas e trabalhadores.
Constatações de vida, coisas que embriagados e solidão nos aparecem, e não é a solidão de estar só, e sim de ser só naquele momento.
ResponderExcluirAo meu agrado mudaria só o primeiro parágrafo, mas a melhor arte não é a que agrada, mas a que liberta. Essa me agradou e fez-me sentir menos só, afinal alguém compartilha algo do mesmo, mesmo que sejam bêbados poetas, bêbados como vezes sou, poetas como libertos da vida.
escreveu e poetizou ao mesmo tempo.
Excluire, como sempre, riscou o fundo do sentimento, talvez até muito transparente nas palavras desse texto.
Um solidão discreta, um vazio presente, um amor (ou vários)ausente(s).
Entre o bêbado que não sou, e o poeta que eu finjo ser... ambos se encontraram nesse texto.
Quem sabe não éramos nós naquela calçada?
Compartilhando mais uma vez de idéias e sentimentos... mas confesso julgue a sensação esplendorosa, ainda tenho medo... e não sei se já sou capaz de sentí-la novamente... de tanto tentar me afastar das ilusões... longe de querer julgar qualquer sensação... quero viver sentimentos verdadeiros (para mim, é claro) e poder expressá-los... sejam eles bons ou ruins, opressores ou libertadores, desejo apenas que sejam autênticos...
ResponderExcluiro sentimento foi verdadeiro, ao menos para você, e quem sabe para a outra pessoa tb durante um tempo.
Excluire olha só: não existe estar pronta ou não... quando vier.... vem! e pronto e acabou-se. e sempre há de nos pegar desprevenidos ;)
Eta, nada como um bom poeta bêbado.
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